Depois de ouvir o clique do último cadeado, Pietro percebeu como o silêncio de uma rua às onze da noite podia ser perturbador. Era a primeira vez que ele fechava a farmácia do pai.

Ele olhou para baixo amedrontado e ajustou a mochila. Quando se virou, havia uma criança ao seu lado. Ela o encarava com um sorriso que causou arrepios. “Garotinho, cadê seus pais?” – Ele perguntou, mas o menino se limitou a apenas continuar sorrindo. Sem paciência e assustado, Pietro saiu andando. E ele o seguiu.

Com medo de ir pra casa, Pietro se desviou do caminho e entrou num posto de gasolina. Lá ele teve a segunda surpresa da noite, o funcionário não fazia nada além de sorrir. Mais pessoas chegaram. Mais crianças apareceram. E ele começou a tremer e gritar feito louco, até cair em posição fetal. “Filho, olha o vexame, é só um palhaço.” Ele abriu os olhos e, mesmo relutante, aceitou o balão vermelho daquela adorável pessoa de rosto branco e riso solto.

 

Escrito por Rafael Pedrosa, com trechos selecionados pelo ilustre público da página Se Conto Ninguém Acredita. A mecânica do conto consistiu em 4 partes, onde os participantes escolhiam o trecho seguinte entre 3 opções, até a conclusão da história.

 

Rafael Pedrosa, 05 de julho de 2017.

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