E lá estava eu, o Bardo
presenciando aquela cena
Pela enésima vez, a pena
me tomou em desagrado.

O Rei Barbudo no topo de sua torre
observando seu carrasco
Que na beira do lago, que asco
admira o sangue que escorre.

Parte do reino também estava lá
testemunhando aquele algoz
Que executava um cidadão, que atroz
sem tremer ou pestanejar.

Uns dizem baixinho
que o coitado é inocente
Porém, quem é que pressente?
Aqui ninguém é adivinho.

Sua cabeça cai na água
o Verdugo joga também o corpo
Para que os crocodilos comam o morto
e a multidão excitada, aplauda.

Como sempre, depois da atração
o sangue torna o lago carmesim
Com a cabeça flutuando, enfim
e uma detalhe chamando a atenção.

Uma camponesa grita assustada
apontando para a torre, agora vazia
Todos se perguntam o que fazia
o Rei, que não estava mais lá.

Uma comoção toma todo o reino
servos, guardas e nobres a procurar
E justamente ao lado do crânio, a boiar
outra cabeça, com barba, bem lá no meio.

Ninguém sabe o que aconteceu
se ele tropeçou ou alguém o jogou de lá
Coragem pra testemunhar ninguém terá
Mas eu garanto que não fui eu.

Só estou a cantar.

Rafael Pedrosa, 16 de Março de 2016.

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